A saúde é uma procura constante e universal. Um casal saudável empenhar-se-á em manter condições que proporcionem o máximo bem-estar recíproco. O conflito põe em causa a saúde da vida familiar. No entanto, o conflito é imanente e endémico da espécie humana. Só os mortos é que não têm conflitos. Assim este módulo deseja capacitar o casal para lidar com os stressores que causam conflitos, pois:
Na sociedade actual, ninguém pode evitar o confronto com situações adversas e stressantes, e o modo através do qual as pessoas reagem a um tal stress é um factor decisivo da sua saúde mental. Uma abordagem mais positiva para a saúde mental deve assim ser desenvolvida (WHO, 1997, p. 67).
A saúde da vida familiar é algo que se conquista diariamente, e diariamente pode-se progredir ou regredir nessa conquista. Esta importante regra da vida, permite considerar o outro sempre como merecedor do investimento e atenção pois diariamente se pode ir melhorando a relação familiar. É um erro pensar que no início do casamento se está com plena saúde familiar: o casal encontra-se no início da sua caminhada e diariamente escolhas serão feitas que permitirão o seu desenvolvimento e melhoramento.
A existência de um conflito no seio familiar, não quer necessariamente dizer que a vida familiar está sem saúde. Deve olhar-se para esse conflito como uma oportunidade, no percurso da história da vida do casal. Neste percurso progride-se de um ponto para outro, de uma condição de dificuldade, de insatisfação, de disfuncionalidade para uma situação de mais vitalidade, de maior satisfação, de funcionalidade. Mas, o inverso também pode acontecer (Figura 1). Assim o conflito pode ser uma mola que atira o casal para um ponto de maior maturidade e melhor saúde familiar. Tudo depende do modo como ele é gerido.
Podemos progredir nessa linha de um ponto de menor saúde familiar para um ponto de maior saúde. Os casais podem olhar para o futuro com confiança se decidirem fazer diariamente os investimentos necessários na construção de uma relação forte. Assim, as escolhas de cada dia são a capitalização de uma riqueza que será partilhada e que podemos gerir para nosso benefício e dos que nos rodeiam: o nosso amor.
Existe assim uma resiliência familiar a ter em conta, que não é o somatório das resiliências de cada um dos membros da família. A resiliência caracteriza as possibilidades que uma pessoa tem de se adaptar a novas circunstâncias depois de ter sido confrontada com situações de risco de qualquer origem (social, ambiental, psicológica, etc.). (S&L, Março 2003, p. 7)
Numa situação de conflito, existe uma nova realidade que dá corpo a um quadro de referências diferentes das que caracterizavam a relação de alguém com o seu meio ambiente até nascer essa situação de conflito. É por isso importante perceber qual é a possibilidade de adaptação que existe à nova situação. Muitas famílias não conhecem bem os seus limites – como unidade familiar, nem os limites individuais de cada um dos membros da família. Assim pode acontecer que o desenvolvimento de uma situação de conflito específico constitua uma “sobrecarga que a ponte” não está preparada para suportar.
Por: Luís Nunes
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